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Acho que, com o tempo, você se cansa. Mas não é aquele cansaço que se sente depois de cinco anos de carnaval ou como depois de uma sessão de amor a dois (ou mais). Cansa de verdade.

Cansa de saber que, entra ano e sai ano, o preço de tudo sobe e o valor de tudo cai. Sofre só de pensar que, mesmo depois de ter dado o suor, o sangue e talvez “algo mais” pela carreira, ainda continua como no começo. Incerto e inseguro.

Sente uma angustia enorme só de pensar que já não se lembra nem mesmo de onde veio direito. Tente lembrar o nome de todos que estavam na sua classe no terceiro colegial… Não consegue, não é? E, se consegue, foi cansativo, com certeza.

Cansa-se de perceber que, tendo oito ou oitenta, a maior epifania que você teve sobre o sentido da vida nos últimos tempos foi lendo aquele livro do Paulo Coelho, que nega até a morte que leu.

É enfadonho perceber que o tempo traz muitas coisas, mas nada daquilo que nos prometeram.

Sabedoria e moderação? Curioso como os sábios são os mortos, que já não podem mais cometer erros, e como a moderação geralmente é associada a alguém prestes a morrer.

Experiência? Se Cristo andasse na Terra ainda hoje, daria conselhos, mas provavelmente os daria em uma zona de guerra (se decidisse ficar em terras conhecidas), ou em uma mansão em Hollywood vestindo uma camisa florida e cavanhaque pintado. O mais provável é que fosse de dentro de um asilo onde existiriam pessoas mais experientes em lhe trocar as fraldas geriátricas.

O que o tempo nos ensinou? O que ele nos ensina? O que há de valor nisso tudo?

Felizes aqueles que se sentem felizes em saber que, no amor e na guerra, vale tudo, inclusive matar o ex-cônjuge (ou atual) de ciúmes ou trucidar uma criança recém nascida por engano.

Sortudos são os que conseguem dar esmola a um mendigo, dizer “coitadinho” e ir embora pensando: “Graças a Deus que não sou eu”.

Incrível como o tempo parece tornar as coisas piores, mais graves, mais curtas ou longas demais. Mais incrível ainda é o que fazemos com esse tempo, essa sabedoria, essa moderação e essa experiência.

Incrível ainda estarmos vivos e termos esperança de continuar vivos por muito mais tempo.

“Se apegando ao desespero silencioso…” Pink Floyd – Time.

Vitor Tritto

Presenciando toda a confusão diante de como deveria se portar uma pessoa de boa índole, a favor dos bons costumes, up with the church, down with rock e politicamente correta, temos agora em mãos um pequeno trecho do manual sobre o que pode e o que não pode, mas, principalmente, sobre o que deve, e o que não deve ser feito. Aproveitem para esclarecer algumas dúvidas, já que este pequeno trecho foi conseguido com o sangue de cinco crianças de rua e, assim sendo, teremos que pagar pelo tapete que foi manchado durante a fuga.

Senhoras e senhoras, sem mais delongas e com muito orgulho, apresento-lhes…

…O ESTATUTO DO BOM HOMEM.

Artigo I
Todo ser humano é, por direito garantido pelo nascimento, completamente livre para reprimir os demais.

Artigo II
Também garantida pelo nascimento é a educação de qualidade – desde que se possa pagar por ela.

Artigo III
Toda pessoa tem o direito de amar e ser amada por quem mais lhe agradar, quer seja ela homem, mulher, vaca inflável, político ou miserável – o que não quer dizer que aceitar isso seja necessário.

Artigo IV
Sobre o artigo anterior, a pessoa pobre pode amar e ser amadas, mas será esterilizada para maior comodidade e bem-estar geral.

Artigo V
É terminantemente proibido qualquer tipo de preconceito para com veados, putas, travecos, sapatões, pretos, pobres, chupetas de baleia, retardados e inválidos broxas – a não ser que isso possua caráter de comédia ou seja feito inocentemente por algum bacana.

Artigo VI
Assim também sendo, qualquer religião pode ser professada sem repressão por qualquer um – desde que se assemelhe ao Cristianismo e que contribua para os cofres públicos de alguma maneira. Caso contrário, seus fieis serão apedrejados até que se convertam a outra religião qualquer.

Artigo VI
Todos têm o direito de possuir no máximo cinco (5) armas de fogo de calibre variado – desde que se responsabilizem e as deixem impecavelmente isentas de impressões digitais, marcas de gordura ou respingos de sangue. Facas, machados, foices e munições não possuem limite de número.

Artigo VII
É totalmente plausível que se roube, mate, estupre ou seqüestre usando essas armas de fogo, pois se a vitima não possui uma arma para se defender, está violando essa norma de conduta e merece aprender a lição.

Artigo IX
A justiça será a mesma para todos aqueles que pagarem a mesma quantia.

Artigo X
Salários justos e condições dignas serão direito de todos aqueles que cometerem suicídio.

Artigo XI
É da boa educação que todos devam sentir pena ou compaixão pelo seu semelhante – mas fazer algo a respeito é totalmente desnecessário.

Bem, meus amigos, serão trazidos mais aos senhores quando eu encontrar algum menor abandonado com fome o bastante para fazê-lo. Por enquanto, é só. Boa noite e continuem o bom trabalho, meus bons homens e mulheres.


Vitor Oliveira

Mas como eu sentia falta disso! Gosto mais do que lasagna (veja Pedro Mococa para a compreensão do verbete), porque existem poucas coisas que se comparam a escrever bêbado.

Aliás, bom é fazer qualquer coisa que o valha no estado de embriaguez – seja escrever, ler ou tentar acertar a privada, valendo quinze pontos para quem não mijar para fora (confesso não saber o sistema de pontuação para as senhoritas… quem passa o batom mais acertado, talvez). Por quê? Oras… Porque mijar para fora é feio. Ah! Refere-se ao motivo inicial do texto, pois não.

Simples, porque, se há uma mágica que ainda não demos conta de exterminar deste mundo, é aquela de quando insistimos em executar as coisas neste estado: embriagados (seja pelo que for). Escrever, por exemplo.

Você se senta ao computador, repousa a latinha ao lado (é sempre uma latinha apenas, a medida exata para tal feito é que é complicada, não me recordo se a 13ª ou a 14 ª) e se põe a rascunhar qualquer coisa. Então, percebe que, mesmo estando completamente parado, tudo se move ao seu redor. Com um pouco mais de clareza, começa a penetrar naquele fatídico estado de todo bom halterofilista hepático e percebe que se as coisas se movem mesmo quando (principalmente, aliás) se está parado. Coisas tidas como sacadas geniais, inovadoras ou novas, tornam-se comicamente comuns. Exemplos.

Se assim é o movimento dos corpos, Sir Isaac Newton apenas inventou uma história complicada demais para explicar à sua patroa porque sofria daquela dor de cabeça terrível. História essa que envolvia uma maçã, uma tarde pensativa e uma força invisível de ação infalível sobre todos nós – combinação que o deixou apagado durante a noite inteira, impossibilitando-o de comparecer àquele jantar na casa da sogra, quando, na verdade, estava na taverna discutindo sobre espartilhos e atirando dardos na figura do Rei George. Resultado: Perdeu a aposta, não tinha como pagar e tomou um baita cascudo na cabeça. Assim se fez a história.

E, ainda, se as coisas assim se movem, aquela premissa de que o mundo não se move em torno de seu umbigo é completamente plausível. Qualquer ente iluminado a tal ponto percebe que o mundo gira em torno de sua cama. Quantas pessoas não se agarraram às suas caminhas confortáveis implorando a todos os anjos e santos que fizessem a maldita parar em nome de Deus-Pai-Todo-Poderoso? Imagem que fica gravada na memória de todos os marinheiros de primeira viagem (ou não!).

Falando em imagem, e aquele velho provérbio “uma imagem vale mais do que mil palavras”? Há! Puro engodo. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, por que diabos haveriam de transmitir isso usando palavras?

E mais. Se você abriu um jornal, ou uma revista, ou o diabo que o valha em busca de informação, gastou seu dinheiro à toa, meu chapa. Isso nem mesmo o todo poderoso Etanol pode consertar.

Renan Calheiros? Vavá? Lobby? Justiça? Processo? Reforma? USP? Aeroportos? Frente Fria? CPI? G8? Economia? Política? Há!

É incrível como, ao passar dos anos, as ressacas aumentam e o fígado diminui, mas, apesar de tudo, as moscas podem ser diferentes em largura, escalonamento, quantidade de pêlos, ausência dos mesmos, estandarte e o caramba! A merda é invariavelmente a mesma.

E mesmo com todas as doses, saideiras e ampolas de glicoses disponíveis, isso não se conserta nunca! Quem sabe com uma dose a mais…


Vitor Tritto é estudante de Jornalismo e
escreve às quartas-feiras nesta coluna
(por que não?) entre uma cerveja
(no capricho, bigode!) e outra.

Caramba, ainda não consigo acreditar nessa minha sorte! Como pode um cara feito eu com uma princesa dessas nas mãos? Eu devo estar sonhando!

– Benhê, vem logo pra cama, eu to ficando solitária aqui…

Eu admito e aviso que a modéstia me faltará agora… Mereço isso! Fui um bom menino, sempre fiz minhas orações, boas ações, pago o dízimo, nunca espiei minha prima trocando de roupa ou fiquei esperando a vizinha solteira aparecer só de calcinha na janela (mais do que uma vez, confesso).

Sempre emprestava a bola para os meus amiguinhos, nunca roubei jogando futebol, jamais fiquei com o dinheiro quando o troco vinha errado. Nunca nem brinquei de médico.

No parquinho, sempre repartia o meu docinho com os coleguinhas que ainda sentiam fome mesmo depois de terem acabado com o meu lanche. Nunca xinguei um juiz em toda minha vida, nem mesmo de futebol de botão. Sempre defendi o direito dos outros de dizerem as porcarias que quisessem e jamais falei palavrão algum. Nunca! Nem mesmo quando escorregava na caquinha alheia.

Nos anos de colégio, não colava de ninguém, apesar de sempre passar cola quando me pediam. Sempre cedia meu lugar às senhoras no ônibus. Jamais roubei goiaba (ou qualquer outra fruta que o valha).

– Beeeeeennnnnnnhhhhhhhhhêêêêêêêêêê…

Nunca maltratei um bichinho sequer! Fosse uma rolinha, vira-latas ou…

– Benzinho! Mas que coisa, vai me deixar aqui tão sozinha? Justo eu que estou usando tão pouca roupinha? Tá me dando um frio…

Nunca fiz sexo. Mas hoje serei recompensado por tanta bondade! É hoje!

A todos aqueles que zombaram de minha bondade e afabilidade! Todos que me fizeram troça, apelidos ou pregaram peças. Todos os que riram de mim! Contemplem minha deusa!

Seus cabelos são da cor do mais puro e límpido halo solar.
Sua pele é filha das chamas de Hélios e sua beleza herdeira do encanto de Vênus.
Sua boca tem os segredos que Pan buscava tão desesperadamente revelar.
Todas as suas linhas e curvas fariam Narciso se afogar por muito menos.

Sainha preta… Blusinha branca…
Olhinhos verdes que dizem: “Inocência”.
Seios que dizem: “Carinho”.
Barriguinha lisinha a dizer: “Saúde”.
Pernas que dizem: “Desejo”.
Calcinha de algodão branca que diz: “Amor”.
Pênis grosso que diz: “Epa! Epa! Epa!”.

Maior que o meu já é sacanagem demais! Quero a merda do meu dinheiro de volta!

Moral da estória: Que Deus existe e, de que recompensará os justos, não há dúvidas. Mas, que tem um senso de humor estranho, com certeza tem.

“O pudor é a forma mais inteligente de perversão”.



Vitor Tritto é estudante de Jornalismo e escreve com
prazer quase sexual nesta coluna entre uma
cerveja (gelada, por favor) e outra.

Zap… Zap… Zap…

Mas que droga! Toda vez é a mesma coisa!

Maldito barulho que não me deixa dormir! Toda noite é a mesma história. Justo quando eu começo a pegar no sono, essa merdinha de barulho vem e me diz que eu não tenho mais esse direito. Faz anos que eu não consigo ter uma noite de sono decente e tranqüila por culpa dessa coisa que me atormenta. Estou cheio disso.

E, quando não é o “Zap-Zap” dos infernos, são esses cabos. Os tubos, fios, sensores, receptores, monitores e o plasma, essa parafernália toda que me espeta e me perfura, que me mantém preso o tempo todo, e que, mesmo assim, não me deixam ter uma noite bem dormida. Quem diabos conseguiria dormir tranqüilamente com esses parasitas todos o amarrando o pensamento?

Que saudades eu tenho de dormir… Quando eu me esforço um pouco, ainda consigo me lembrar daquelas noites de sono veladas que eu tinha quando era criança… De quando eu acordava assustado, no meio da noite, meu pai vinha e se deitava ao meu lado e ali ficava acordado até que eu caísse no sono novamente. Lembro-me ainda de quantas cantigas e histórias minha mãe não inventou só para me ver dormindo o sono dos justos. Eles morreram faz dois anos e eu não pude ir vê-los… Nem mesmo no leito de morte de meus pais essas agulhas me deram folga por alguns dias. Era sempre alguma coisa “urgente”. Fiquei preso a elas por tempo demais, eu acho…

Hoje, quem se deita ao meu lado são meus filhos e minha mulher. Ela está ali, dormindo no sofá. Que inveja que eu tenho dela neste momento! Os cabelos castanhos caem do travesseiro improvisado feito de almofadas e quase se encostam ao chão. Impressiona-me agora que, mesmo depois de dois filhos e do tempo que não foi muito generoso, ela ainda tenha o corpo torneado que tinha quando nos conhecemos na faculdade, vinte e dois anos atrás… Parece que faz tanto tempo! As coisas naquela época ainda eram preto no branco. Uma outra vida (para mim, pelo menos), e ela ainda faz aquele barulhinho quando dorme. Um sussurro bem baixinho que mal consegue escapar da boca… Mesmo depois desses anos todos…

Eu ainda me lembro das noites em que costumava ficar acordado por horas e horas depois que ela adormecia só para poder ouvir o sussurro. Eu sorria feito um idiota toda vez. Uma daquelas pequenas coisas que fazem as pessoas se apaixonarem, eu acho.

Eu me recordo que, quando eu a ouvi dormindo pela primeira vez (depois da primeira vez em que fizemos amor), foi quando soube que poderia passar o resto da vida ao seu lado. Feliz.

E veja só como você está agora, meu caro. Você arruinou a vida dessa mulher. Vamos, diga-me que felicidades tem dado a ela ultimamente? Que vida junto a ela você tem tido? Ainda pode dizer que estará com ela na saúde e na doença, pronto para o que der e vier quando até mesmo esse barulhinho maldito fica no seu caminho?

Vinte e dois anos de casamento, dois filhos, um bom emprego, uma vida pacata, e você estragou tudo, seu merda! Você já não consegue nem acordá-la mais como costumava fazer. Não tem a capacidade nem mesmo de beijar-lhe a testa de manhã por que esse maldito tubo respiratório que o mantém preso não deixa. Aqueles abraços, antes do trabalho? Não com o soro e os sensores, não senhor. Pode esquecer os almoços de domingo, meu chapa. Alimentação agora é papinha de neném direto na veia. Você é um prisioneiro desse aparelho, é ele que o mantém vivo.

Admita, você é um pé de alface vestindo o mesmo pijaminha ridículo todo dia. Não é mais quem você era. Se você se olhasse no espelho agora, diria que estou certo. Você é um osso. Branco, magro, com as olheiras quase tocando a nuca. Ela é a mesma mulher por quem você se apaixonou, mas e você? Pode dizer que ainda é o mesmo homem que ela amou? Com essa cara chupada e esses piercings todos que ficam pendurados em você vinte e quatro horas por dia, você pode dizer que ainda é o homem que a fazia feliz? Raios, que sono!

Se você vai fazer alguma coisa da sua vida, faça-a agora, antes que algo mais aconteça.

Está quase amanhecendo… Daqui a pouco aquela mulherzinha vai trazer os dez comprimidos matinais, vai olhar para a sua cara de quem não dorme faz um século e vai dizer: “Bom dia.”.

Mulherzinha falsa. Que sabe ela de mim?

É isso, meu velho. Para o diabo com tudo isto! Está na hora de dormir, merecidamente.

Com alguma dificuldade, consegui-me desvencilhar da maioria dos parasitas, o resto continuou me chupando o sangue.Mas que isso me importa? Eu estarei sonhando, afinal.

Vesti minhas pantufinhas, demorei-me um pouco para conseguir achar o chão familiar novamente, mas com algum esforço eu ainda conseguia andar. Fui até o sofá, ajoelhei-me ao lado da minha mulher e ouvi por longos segundos aquele sussurro. Sorri. Beijei-lhe a testa e disse: “Estou indo já, meu bem. Tenha um bom dia”.

Ela sorriu.

Desliguei. Desconectei. Descansei.

Caminhei para a porta e segurei a maçaneta por alguns segundos. Não havia mais “zap-zap” nenhum… Enfim, paz. Abri-a sem fazer ruído e saí corredor afora.

Chega de vida, é tempo de sonhar.



Vitor Tritto é estudante de Jornalismo e escreve com
prazer quase sexual nessa coluna às quartas-feiras
entre uma cerveja (gelada, por favor) e outra.

 O AMOR

Se pudesse, amar-te-ía para sempre
E, a cada novo dia, deitar-te eu viria
Mil rosas e abraços
Todos os meus beijos e malícias
Dúzias de bombons e afagos
Viveríamos em lençóis e de caricias
Mas fica para daqui a quatro dias
Trouxe o absorvente. Me liga, tá?
E assim viveram felizes para sempre.

O SEXO

Sou um impuro, indigno de teu amor e de tua paixão
Que me faz sofrer ao ver
Tua doce mão sobre as minhas calejadas de tanto pecar.
Tua pele alva e sedosa na minha suada
Os teus doces olhos azuis sobre estes vermelhos de pecado
Tua boca macia que beija a minha malcriada
E este teu virgem sexo em minha herpes mal-curada.
Mas como eu já pequei mesmo…

A CASTIDADE

Meu Deus, quando Teu divino amor me possui
Só posso amar a Ti, em toda a Tua grandeza e tamanho
Pois quando fecho os olhos, tomada pela Tua graça, me sinto bem… Muito bem.
Oh! Meu Deus! Não deixes de me amar nunca! Jamais! Não pare! Continue!
Oh Meu Deus!
Meu Deus!
Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
Ai meu Deeeeeeeeeeuuuuuuuussssssss!
Amém.

Revirai-te, Shakespeare. Regozijai-te, Sade. Penitenciai-te, Edir Macedo.
Os tempos modernos chegaram.

“Fazer tolices em prosa e narrá-las em verso.”



Vitor Tritto é estudante de jornalismo e
escreve nesta coluna às quartas-feiras
(e, por que não?) entre uma cerveja
(no capricho, bigode) e outra.

Honrando o alter ego desta coluna, é chegada a hora de cutucar – e com muito gosto, diga-se de passagem – um nervo muito delicado do esfíncter da moral que nos veste o cabresto, a sela, o corpete (vermelho, óbvio) e o salto de vinil.

Falemos então de entorpecentes, sim?

Ultimamente, a velha pornochanchada da liberação da maconha voltou a encher a paciência. A MTV, com a sua mania de querer ser engajada em tudo, exibe comentários de músicos que, curiosamente, aparecem como que envoltos em tarjas pretas por todos os lados e que deveriam usar todas as drogas do mundo para ficarem mais interessantes.

Copacabana deixou de ser desfile de bundas para abrigar a passeata dos bundões mascarados em prol do brother Erva. E o Planalto está discutindo tanto se libera ou não de uma vez, que as nuvens de fumaça já são visíveis da Colômbia.

Isto para não falar em blogs sem fim, que propõem a maledeta discussão.

Intimamente, esta coluna é categoricamente contra a liberação, mas não se enganem com a atitude do cordeiro, pois, como vocês perceberão, ele geralmente é mais sacana que o lobo. Voltemos um pouco no tempo para começar a rala-e-enrola.

Hoje em dia, levantar uma questão dessas em um grupo com a esperança de se chegar a um acordo tem tantas chances de dar certo quanto discutir o sexo dos anjos ou se Roberta Close é desejável ou não. Há uns trinta, talvez quarenta anos, propor a polêmica seria provavelmente uma imbecilidade (espero eu, já que, apesar de meus esforços, ainda não consegui um porre que me mandasse para a época… lástima). Talvez por curiosidade coletiva, desinformação ou desinteresse sobre as conseqüências, as pessoas usavam drogas quase que abertamente. Mas havia um motivo a mais para isto. Em uma época de mudanças, um motim se faz necessário, e ele veio em doses e viagens justamente porque era válido usar de qualquer artifício para mostrar que a realidade não se restringe àquela onde o governo manda. Existem outras que podem tomar conta do plano físico e que podem mudar o mundo sim, de certa forma.

Anacronismos à parte, isso se deu em uma época em que rebelião existia e não vinha em pacotinhos de 12 unidades. Ali era válido ser tão comum o uso, já que quanto mais pessoas aderissem à manifestação, melhor. E hoje? Qual é o grande ganho para a causa (lamento… estamos sem no estoque. Volte amanhã sim?) de se liberar alguma coisa se isso fatalmente se tornaria mais uma tribozinha mequetrefe? Clubbers, pagodeiros, emos, manos e marias-joanas… Ah! A rebeldia do presente…

Se o governo (veja bem, o G-O-V-E-R-N-O, aquela reunião de reumatismos de gravata) está discutindo se sim ou se não, está mais do que na hora de começar a se ter overdoses de coisas mais fortes, seja de discos do Chico Buarque ou de ácido acético, com duas pedrinhas de gelo e uma fatia de limão.

Quando liberarem de vez alguma coisa, temo que seja um dia negro (ao invés de roxo) para a honra dos rebeldes do passado. Assim que concedermos o poder de dizerem em quais realidades nos é de direito viver, a luta estará decididamente perdida. Não permitam que liberem a maconha, não lhes dêem esse direto, pois isto entregará nas mãos dos poderosos a única dignidade que ainda temos: a de não precisar da permissão de ninguém para criar uma realidade nova.

“Quando você faz as pazes com as autoridades, você se torna uma delas.”
Jim Morrison, The Doors



Vitor Tritto é estudante de jornalismo e
escreve nesta coluna às quartas-feiras
(e, por que não?) entre uma cerveja
(no capricho, bigode) e outra.

Inquisição! Fogueira! Fogueira? Chur-ras-co!

E o Bentinho arrumou as malas, empacotou sapatos vermelhos, poliu o anelzinho do pescador e foi-se embora para a sua cama na papa-caverna. Mas lógico que, como todo bom gringo de bochechas rosadas que pisa por estas bandas mais calientes, fez milhões de elogios ao carinho do povo brasileiro, às delicadezas dispensadas para com sua pessoa e à pujante fé em Cristo por parte de um povo (desesperado, diga-se de passagem) de quem ele se lembrará para sempre. Tudo ótimo, muito lindo e sacro. Mas, neste meio tempo:

- O espírito cristão teve dó de Marcola e o tirou da solitária… só com muita fé mesmo…

- O espírito cristão também passou mais cedo este ano para os bons meninos e fez com que a Câmara aprovasse um reajuste salarial para os deputados, presidente da República, vice-presidente e ministros. Módicos 28% de reajuste.

- O povo continua com módicos R$ 380,00.

- A Faixa de Gaza continuou com a sua campanha para que seu nome seja mudado para a Faixa de Gaze, que julga ser um nome mais apropriado devido às circunstâncias.

- O Iraque, em um único fim-de-semana e em poucas tacas, conta agora com uma população 60 cabeças mais leve, no mínimo. Outros membros também foram prestigiados nesta ação, como braços, pernas, mãos, dedos, etc.

- E, falando em membros, temendo que a fúria divina recaísse novamente sobre algum de seus dedos, o presidente Lula evitou patrocinar um plebiscito contra o aborto e, para variar, jogou a peteca para o Congresso. E, para completar o pacote de agrado à Igreja, até permitiu que o Papa alemão falasse um português melhor que o seu. Mas é bondade demais. Canonizem o Lula.

- E ainda falando do nosso querido companheiro, quinta-feira, dia 10, ele bateu um rápido papinho, enquanto se preparava para receber o Papinha, com o Bush Jr., comandante maior das forças armadas em prol da libertação do mundo, sobre a rodada Doha, o G8, a questão do biocombustível, a escalação do Corinthians e sobre possíveis presentes para suas respectivas patroas. Assuntos relevantes ao Estado. O que obviamente terminou em pizza. Tanto Lula quanto Bush decidiram por banana.

- E falando no Jorginho, Bush Jr. completou o dia soltando a pérola de que se sente particularmente orgulhoso de estar escrevendo um pedaço da história em que os EUA são os maiores responsáveis pela libertação de pessoas que sofrem com as ditaduras e os governos autoritários por todo o mundo. Eles estão esperando o que para começar a imprimir livretos de piada sobre o Juninho? É uma mina de ouro! Negro, obviamente.

- Frei Galvão foi promovido não só a santo, mas também a empresário, e hoje emprega dezenas de freirinhas simpáticas nas suas linhas de produção da pílula milagrosa, que tiveram uma procura 97% maior no mercado graças à campanha de marketing que incluía um avião, um carro personalizado, milhares de fãs ensandecidos e um pouco do tempero brasileiro e, por isso mesmo, já pensa em abrir filiais pelo mundo todo. Agora, só precisa de um slogan que não inclua a palavra “pílula”, pois isto deixa o seu patrocinador oficial descontente, digamos.

- Chico Bento XVI ainda fez um ato de muito boa fé com o povo brasileiro para demonstrar a sua preocupação com o destino dos povos da América Latina em geral. Abriu a janelinha do seu papa-móvel, quebrou o protocolo de segurança algumas vezes e ainda criticou narcotraficantes, dizendo que não é só a justiça que desaprova a atividade mercantil, mas que o Todo-Poderoso também não é muito fã dessas coisas que desvirtuam bons católicos, e que há de cobrá-los depois. Como se a polícia não fosse o suficiente. E se a ordem das ações fosse invertida, ele teria uma boa chance de fazer o comentário diretamente com a gerência. E depois dizem que a ordem dos corpos não altera a fecundação…

- Balanço total: Um Papa no Brasil e um povo inteiro no papo.

“O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos.” Nietzsche



Vitor Tritto é estudante de Jornalismo e escreve com
prazer quase sexual nessa coluna às quartas-feiras
entre uma cerveja (gelada, por favor) e outra.

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

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