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Por que diabos criticam tanto o humor nacional? À exceção dos programas que infelizmente já não dão mais certo (zorras, praças, escolinhas e turmas), o resto é bem divertido. Casseta & Planeta Urgente, Pânico na TV e Rockgol são engraçados. Veja bem: engraçados.

O argumento de que as piadas se repetem é consistente. No entanto, o humorístico mexicano Chaves o destrói sem querer querendo. Há mais de duas décadas na telinha de Sílvio Santos, ele desbanca qualquer um que atravesse seu caminho. Que o diga Ana Maria Braga, derrotada por Dona Florinda em plena estréia global.

Oras, quem foi que disse que humor deve ser necessariamente político? Não que o humor político não deva existir. Muito pelo contrário. Mas esse papo de que no Brasil só existem vadios ignorantes já deu no saco. Depois de tanto falarem na política do pão e circo, padeiro e palhaço têm vergonha até de sair às ruas.

O povo, companheiros e companheiras, tem direito de se divertir. De dar risada ao ver humoristas se matando para fazer o Galvão Bueno mexer o esqueleto. Por mais retardado que seja. Pelo equilíbrio entre entretenimento e inteligência!

 

Tossiro Yamamoto

Todo dia, atravessa a faixa de pedestres que dá acesso a um ponto de ônibus na Rua da Consolação. Com passos lentos, mas calculados, nem percebe os olhares que a encobrem. Loira, calça jeans e uma visão compenetrada em algum canto do universo.

Quando toma a condução, alguém cede o assento. Não vê quem lhe ofereceu o lugar, mas agradece. Muito obrigada. Fixa novamente os olhos em um ponto perdido, infinito. De tão sublime, quase pairando no ar, assusta-se quando o motorista contorna a Rebouças rumo à Paulista de forma brusca.

Levanta sob olhares esguios de umas e outras senhoras, e desce. Segue em direção ao trabalho, que sustenta o estudo de advocacia. É a rotina de mais uma deficiente visual na cega metrópole paulicéia.

 

Tossiro Yamamoto

O aniversário era no sábado mesmo; o churrasco, no domingo, segundo minha mãe. Meu tio, o aniversariante, convidou os sobrinhos a acamparem no sítio do sogro, no sábado. Meus pais teriam somente o trabalho de me levar ao local. Mas não. Teria churrasco no sábado à noite também, mãe. E a família toda estava convidada por extensão.

Desfeito o mal entendido, comemos carne nos dois dias, afinal. No domingo à tarde, voltei pra casa e assisti a um jogo de futebol, cuja narração deixou a desejar. O locutor esportivo confundia a numeração dos jogadores palmeirenses – lamentável. Embora se pareçam, Makelele não é William e Wendel não é Pierre.

Não vi a partida até o fim, tinha que voltar pra São Paulo. A moça ainda colocava as malas no bagageiro quando perguntou ao motorista se a cidade de onde saíamos era a última parada. Ele disse que sim. E virou à direita, para entrar no posto, duas horas mais tarde. “Não era a última parada?”. Relatara antes à amiga ao lado que só estava viajando de ônibus porque a carona para o interior voltaria à capital dias depois que ela. “E só me avisou com o carro na estrada, em São Carlos [metade do trajeto, que tem 381 km]. Acredita?”.

O final de semana se configurava ótimo e, apesar do barulho, viajava tranqüilamente, rindo da disfunção informacional alheia. Aproveitei a – agora sim – última parada e desci pra comprar água. Entregues R$1,70 à mocinha do caixa, abri a garrafinha. Tssssssss. Gás. Ferrou.


Tossiro Yamamoto

Minha última coluna abordou o tema jornalismo-cidadão. E por falar nisso, assim escreve José Paulo Lanyi:

Em tempos de tragédias anunciadas, sempre há lugar para o grotesco. Se os fatos ferem, a repercussão pode agravar, e nisso a mídia colabora. Há alguns dias, o UOL escorregou em uma pocilga, convidado por um leitor que chafurdava nos escombros das vidas de milhares de pessoas atingidas direta ou indiretamente pelo acidente de Congonhas. O internauta enviara ao portal uma fotomontagem que “criava” uma vítima que estaria por se jogar da janela do prédio da TAM Express. O UOL publicou a cena, e, avisado do engodo por outros leitores, retirou-a com atraso, como observa a ombudsman do portal, Tereza Rangel:

“A imagem entrou no fotoblog da redação às 11h19, foi para a home do portal às 12h20. Às 12h48, um leitor já alertava para a montagem. Foram mais 11 manifestações sobre a farsa no fotoblog, de 12h53 até 13h41. A foto ficou mais de uma hora na home do portal e só foi retirada do fotoblog às 14h20. Um erramos foi produzido às 14h33. Ele, porém, ficou restrito à lista de Erramos e a um texto onde antes havia a foto no fotoblog. Para a gravidade do problema, deveria ter sido publicado na home do portal imediatamente. Só foi para lá às 15h55, depois de a ombudsman requisitar uma explicação à redação e depois de ter sido reescrito, às 15h53.”

Observatório da Imprensa, hoje (24/07).
Leia na íntegra.



Tossiro Yamamoto

A gama de recursos que oferece a Internet é vasta e, provavelmente, não foi de todo explorada. É inquestionável que essa chamada e badalada web 2.0 assusta o conservadorismo de (in)certas editorias. Além da expansão das ferramentas terminadas em “ogs” nas expressões blogs, fotologs, videologs e afins, a febre atual são os wikis.

Os diferenciais visíveis são velocidade e espaço físico – neste caso, virtual –, que outras mídias têm menos a oferecer. Assim, o processo de gatekeeping, em que portões simbólicos impedem a publicação de certas notícias, é menor na Internet, senão inexistente.

Axel Bruns (em Gatewatching, Not Gatekeeping: Collaborative Online News) diz que o jornalista internauta passa a ser um bibliotecário, colecionando o maior número possível de notícias e as distribuindo de acordo com a preferência do público. O que pode ser feito, inclusive, pelos próprios leitores. Ele propõe, portanto, que, em vez de gatekeepers, a expressão correta para os responsáveis pela seleção seja gatewatchers.

Gatewatching, segundo ele, é a “observação dos portões de saída de veículos noticiosos e outras fontes, de modo a identificar o material importante assim que ele se torna disponível”. Ou seja, quase tudo se torna disponível, mas a disponibilidade não significa importância necessariamente.

Numa extensão de sentido, excluídas as proporções indevidas, esse processo talvez também ocorra nas agências de notícias.

Mas, espere aí. O gatewatcher não precisa ter diploma de jornalista. Qualquer um pode publicar notícias. Seria o jornalismo sem jornalistas ou, ainda, o fim do jornalismo? Caio Túlio Costa, na edição n° 18 da Revista Líbero, escreve:

(…) essa web aposta na participação ativa do usuário comum, o não-profissional, na produção de notícia e de informação. Em 2006, ele [o jornalista Scott Karp, colunista em http://publishing2.com] não tinha dúvida de que essa mecânica alcançara uma boa audiência de nicho, mas se perguntava se funcionaria para audiência de massa. A mudança de paradigma não está mais no ar, está na rede. Chamado de internauta repórter, repórter-cidadão ou jornalista-cidadão “citizen journalist”, sua constituição provocou reações da velha mídia em medida complexa e ambígua, mas bastante inferior à explosão da colaboração de “amadores” na rede mundial. Alguns sustentáculos da velha mídia reagiram cooptando os amadores. Outros reagiram criticando-os, naquela situação típica do jus esperneandi, aquele direito sagrado de espernear, contestar, reclamar.

Fica a dica do Fotorepórter, lançado pelo novo portal do Estadão (www.estadao.com.br), que, aliás, adequou-se às táticas blogueiras, utilizando-se de tags, vídeos e podcasts. Com a chamada “Suas fotos podem ser publicadas no jornal”, o Estadão rendeu-se à era do jornalista-cidadão. E o melhor – depende para quem – é que, se publicadas as fotografias, o autor será remunerado como um profissional do ramo.

No sítio Brasil Wiki! (www.brasilwiki.com.br), há uma página com as notícias barradas. Veja o exemplo:

Discussão dificílima. É jornalismo ou não o é? Seria webjornalismo? O número de blogs só tem crescido. Anos atrás, existiam apenas diários, com as mais variadas interfaces (no jargão do meio, templates). As meninas gostavam de Hello Kity; os rapazes, de times de futebol. Grandes veículos de mídia, freelancers, desocupados, donas-de-casa e porteiros de prédio gostaram. E postaram, para nunca mais parar.

Li, não sei onde, e não me cobre, uma sacada genial a respeito. Como é possível cravar se o que um jornalista faz em seu blog é jornalismo? A imprecisão persiste, dado que uma novela escrita por jornalista não se constitui em jornalismo.

Não me causa confusão, é evidente, a reprodução de conteúdo impresso em sítios, como é o caso dos grandes jornais da capital paulista. Mas achei bem indigesta a interrogação do parágrafo anterior, até mesmo quando se trata da cobertura dos grandes portais de Internet, como UOL, Terra e iG. Afinal, desconheço o funcionamento dessas redações.

Se você não ficou confuso, é mentiroso, estudante de Jornalismo e tem um blog. Ao persistirem os sintomas, junte-se a nós nesse taekwondo filosófico.



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Começa o Pan. Na Globo, disseram agorinha que certa atleta brasileira luta pelo ouro ou pela prata. Todos lutam por ouro, oras. Imagino uma final. O narrador, felizão: É, amigo, falamos ao vivo (e em definitivo!) do Engenhão. Nesta final, o Brasil tem chance de conquistar o ouro, mas também a prata.

Tossiro Yamamoto

Crédito - mixbrasil.uol.com.br

Nesse final de semana (quarta-feira em diante) prolongado, praticamente fiquei desligado do mundo. Não vi tevê, não li jornal. E corri atrás do lucro no domingo. Qual não foi minha surpresa ao saber que um ator global havia sido acusado de agredir uma prostituta?

O caso nem foi resolvido ainda. Muitas informações são desencontradas. O certo é que, além de seus amigos, estavam mais dois travestis no motel. E, ao procurar saber mais a respeito do rapaz, descobri que ele contracena como André, de Malhação. Nas telinhas, um garoto humilde, que pratica judô e é sempre pré-julgado pelos pais da namorada.

Encontrei também um pingue-pongue dele para o Portal Terra. Rômulo Duncan Arantes Neto, 20 anos, diz que gostaria de interpretar o papel do michê Matheus, de Cauã Reymond, na novela Belíssima. Faria já par romântico com Fernanda Lima, mas tem medo de escuro. Sua trilha sonora inesquecível é Assim Caminha a Humanidade, de Lulu Santos.

Ainda vai levar um tempo
Pra fechar o que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você quanto pra mim

Ainda leva uma “cara”
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga e sem vontade

Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que eu te quero mal
Apenas não te quero mais

Não te quero mais
Não mais
Nunca mais

Pelo fim do jornalismo tendencioso!



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Certa vez, a professora do Fundamental, Dona Tinha, e seu esposo, Edu, resolveram levar o pessoal em excursão ao Rio de Janeiro. A turma era grande. Quando ela levantou a idéia em sala, somente dois alunos se interessaram. Até hoje, não se sabe quem levantou a mão primeiramente. A discussão perdura. Um invejava e imitava o outro, apesar de serem os antônimos em carne e ócio.

O resto da galera também foi. Claro. A prefeitura bancou o passeio de ônibus. O filho pequeno da professora não parava sequer um segundo durante a viagem. Chamava todas as meninas, mais velhas que ele, de japonesas (?) de cabelo verde. O peralta adorava inventar charadas e também mudar a voz.

Lá no Rio de Janeiro, que continua lindo, continua sendo… A primeira visita foi ao Maracanã. Luisinho esboçou um sorriso acanhado. Corintiano que era, ergueu o sorriso até a testa quando o Coringão entrou em campo para enfrentar o time de Garrincha. Talvez tenha sido essa a razão de se interessar pela viagem. Será, então, que o Fernando foi o segundo a levantar a mão? Deixo pra lá.

Na van, do lado de fora, o marido da professora ouvia rap, com o filho se debatendo em seu colo. Canta punk, pai. Canta punk!, suplicava o garoto.

Aos 13 do segundo tempo, “gol do Timão, porra”. O que é isso, Luís? Desculpe, companheira. Que não se repita! Depois do jogo, a galera foi até o Redentor. Enquanto todos ajudavam na campanha do Vote Cristo, Fernando Enrico escrevia em seu diário de ateu e gargalhava os 2 a 1 de virada do Botafogo aos 45. Quarenta e cinco!

Às costas do Cristo, Renan se pegava com uma menina da classe. Os gemidos invocaram a Dona Tinha. Meu Deus! “Não é nada disso que está pensando, professora. Posso provar”, conseguiu balbuciar, quase vencido pelas forças da natureza que o amoleciam. Tudo bem, menino, relaxe e goze. Só me espantei com… Uau. Rum. Nem vem, pode tirar seu bondinho da chuva.

Algumas crianças, que não eram da escola e sim parentes de alunos, queriam saltar de pára-quedas. Não deu. A justificativa do instrutor foi “apagão aéreo”.

No fim do dia, Luisinho e Fernando Enrico continuavam a trocar farpas. Edu, Dona Tinha e seu filho descansavam em um banco do calçadão. Os sungas-pretas de Copacabana travavam uma peleja no futevôlei. E Renan tocava solitário (!). O refrão, bem me lembro: Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? Inspirou uma banda de Brasília, mas o título original da música continha seu nome.


Contemporâneas:
“Se Deus quisesse que a gente voasse, já nasceríamos com as passagens na mão”
“Bigamia: estado civil com uma mulher a mais. Monogamia: idem”



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

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