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Caríssimos

Continuando com nosso ilustríssimo PBF, convido ao palco André Cintra, estudante de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Boas vindas, sinta-se em casa ^^

 

Moça

Uma amiga da minha avó, cujo nome não lembro, não chamava Nair. Não me lembro do nome, mas tem alguns nomes de que me lembro que não são. E Nair se encontra nesse conjunto.

Contei isso porque quarta-feira fui comprar cachorro quente na mesma loja a que vou sempre não pelo cachorro quente, mas pela atendente. Eu disse “moça, me vê um cachorro quente quente?”. Ela virou os olhos à minha direção, irritada pela redundância maldosa. Mas eu disse que “moça, não faz mal pedir, não é mesmo? Segunda-feira mesmo, eu não me lembro do que aconteceu na segunda, moça, mas tenho certeza de que poderia me explicar se lembrasse”. Falei isso para irritá-la mais ainda.

Eu adoro vê-la irritada.

“Moça”. “Quê?”. “Você já reparou que abóbora é laranja, mas laranja não é abóbora?”. E ela riu daquele jeitinho – que eu comemoraria com soquinho mais tarde, na frente do metrô. E o metrô estaria atrasado, por isso ninguém entenderia o porquê da comemoração. Um jovem olharia pra mim, “foi gol?”. “Quê?”. “Ã?!”.

“Moça”. “Quê?”. “Sabia que na China não se chamam as moças de moça?”. “Mas por quê?”. “Porque na China se fala chinês, e se alguém disser moça, em português, ninguém vai entender”. “Como é besta!”. “Eu sou, eu sou besta”.

Eu adoro quando ela me chama de besta.

“Moça”. “Quê?”. “Qual é seu nome?” Ela disse o nome. Um nome curto, de duas sílabas. Então fui embora com a certeza de que ela não é a amiga da minha vó.

 

André Cintra

Milhões de mulheres estão tristes neste momento. Aproximadamente 80% delas por causa de homens, 5% por motivos diversos e 15% devido ao seu ciclo menstrual.

Milhões de homens estão tristes neste momento. Aproximadamente 70% deles por causa de mulheres, 10% por causas diversas e 20% graças ao futebol.

Assim, concluímos a importância do futebol para o mundo, é como se fosse o ciclo menstrual dos homens. Talvez pior.

Algumas constatações históricas reforçam a importância de tal esporte. Mussolini era o 12º jogador da Itália na polêmica conquista da Copa do Mundo de 1934. No Brasil de 1970, o futebol virou prioridade para o Governo Militar, o circo necessário para iludir a população (assim como o Pan-americano de agora). A Alemanha nazista deixou bem claro aos jogadores do Dínamo Kiev o script do jogo contra sua seleção e, mesmo assim, os destemidos e inocentes guerreiros insistiram na vitória. Foram executados ao final da partida. Verdadeiros heróis da bola, afinal “futebol não é questão de vida ou morte, é muito mais do que isso”. Ainda assim, tive que agüentar Chávez, Morales e Maradona dando o pontapé inicial da Copa América e do sensacional jogo entre Venezuela e Bolívia. Curiosamente, terminou empatado.

Toda essa dissertação para chegar a uma experiência pessoal. Estive em Israel durante as férias e fui agraciado com a oportunidade de bater uma bola com os nativos. Eu, como discípulo não reconhecido de Zinédine Zidane, logo estranhei o estilo de jogo, mas não demorou para o método brasileiro de jogar se sobressair. Seguem-se algumas constatações:

- O local do coletivo era uma quadra de futsal. Detalhe: Em Israel, não existe essa modalidade. Portanto, jogamos com uma bola de campo que tocava o solo e voava. Era só ela chegar aos pés de um jogador menos habilidoso e lá se ia a pelota – o que, de fato, ocorreu.

- A quadra era bem delimitada por linhas e tinha o tamanho ideal para uma partida cinco contra cinco. Porém, a opinião deles não era a mesma e, assim, retirou-se um jogador de cada equipe. Não obstante, decidiram ignorar os limites marcados pelas linhas brancas. A quadra estendeu-se por mais dois metros de cada lado. Os novos limites eram uma montanha e um pequeno barranco.

- Todos estavam de folga do exército pois, no país, é quase que obrigatório o serviço militar. Conseqüentemente, todos tinha um porte físico respeitável. Até agora não sei se eles tinham consciência disso e, por esse motivo, corriam continuamente em vez de fazer a bola correr.

Apito final. Não para os meus pensamentos. Observei que os israelenses também são assíduos jogadores de Winning Eleven (não é necessário apresentações). Acredito que essa seja a causa do estilo de jogo tão esquisito. Culpa do console (está contaminado o mundo!) em que é só passar pro Ronaldinho e sair correndo.

Franklin Foer estava certo. O futebol explica o mundo. Talvez seja por isso que, na Europa, joga-se tão defensivamente, que a África não se desenvolve e que a Copa América esteve repleta de goleadas. Um monte de times que mal sabem defender e pensam que podem atacar, provando que ainda existem equipes bobas no futebol. Enquanto isso, no Brasil, faltam atacantes.

Ah, nessa análise, esqueçam os Estados Unidos.

 

Ricardo Berezin

Minha última coluna abordou o tema jornalismo-cidadão. E por falar nisso, assim escreve José Paulo Lanyi:

Em tempos de tragédias anunciadas, sempre há lugar para o grotesco. Se os fatos ferem, a repercussão pode agravar, e nisso a mídia colabora. Há alguns dias, o UOL escorregou em uma pocilga, convidado por um leitor que chafurdava nos escombros das vidas de milhares de pessoas atingidas direta ou indiretamente pelo acidente de Congonhas. O internauta enviara ao portal uma fotomontagem que “criava” uma vítima que estaria por se jogar da janela do prédio da TAM Express. O UOL publicou a cena, e, avisado do engodo por outros leitores, retirou-a com atraso, como observa a ombudsman do portal, Tereza Rangel:

“A imagem entrou no fotoblog da redação às 11h19, foi para a home do portal às 12h20. Às 12h48, um leitor já alertava para a montagem. Foram mais 11 manifestações sobre a farsa no fotoblog, de 12h53 até 13h41. A foto ficou mais de uma hora na home do portal e só foi retirada do fotoblog às 14h20. Um erramos foi produzido às 14h33. Ele, porém, ficou restrito à lista de Erramos e a um texto onde antes havia a foto no fotoblog. Para a gravidade do problema, deveria ter sido publicado na home do portal imediatamente. Só foi para lá às 15h55, depois de a ombudsman requisitar uma explicação à redação e depois de ter sido reescrito, às 15h53.”

Observatório da Imprensa, hoje (24/07).
Leia na íntegra.



Tossiro Yamamoto

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Jornal O Povo

Entrará para a História o último 20 de julho (2007) como o dia em que os brasileiros se viram livres das correntes que os aprisionavam ao derradeiro representante do coronelismo nacional! Graças a uma espetacular falência múltipla de órgãos decorrentes de uma insuficiência cardíaca, morreu, no InCor (São Paulo), Antônio Carlos Magalhães!

Internado há mais ou menos 40 dias, o homem que disse poder carregar as glórias de “conduzir e liderar as vitórias da ARENA (Aliança Renovadora Nacional – partido forte e único na época da Ditadura Militar) no estado baiano” já havia sido internado outras vezes neste ano. Em março, usufruiu da hospitalidade paulista devido a um quadro infeccioso decorrente de pneumonia e de disfunção renal.

Antes de finalmente ir visitar seu mais famoso comparsa láááá embaixo, Toninho Malvadeza tomou um belíssimo tapa, com luva de pelica e tudo mais, ao ser derrotado nas últimas eleições governamentais no estado na Bahia, quando o Petista Jaques Wagner foi eleito (não sei dizer se para melhor ou pior).

“Governou” a Bahia por três vezes sendo que, das duas primeiras, por indicação do “regime” milico. Foi nomeado para ser o homem de frente da Eletrobrás, em 1975, pelo então “presidente” Geisel e para o Ministério das Telecomunicações durante o governo pós-ditadura de José Sarney. Alguns dizem que foi um dos responsáveis pelo milagre econômico vivido pelo Brasil na década de 70. Confesso que não há como questionar tal milagre, mas é claro que “ao preço de milhares de vidas, seu racismo, seu sistema…”.

Não é novidade a ninguém que Toninho Malvadeza andava constantemente armado. Contudo, não sujava suas patas de cavalheiro com sangue oposicionista, mandando seus capangas para o serviço sujo (como se o que fizesse vestindo terno e sentado em luxuosas poltronas de couro também não fosse).

Como diria meu amigo capixaba Rodrigo: “Por quanto tempo mais?… Senhor, seu troco!”.

 

Marcelo Cabrera

…tudo continua na mesma. Presidente do Senado pagando pensão alimentícia fora do matrimônio, com dinheiro de lobista (ps I: a culpa é toda da mãe da criança. Numa terrinha machista como a nossa, a culpada é SEMPRE a mulher. Ainda mais se ela for jornalista, fazendo parte dessa mídia burguesa e reacionária, em sua nova empreitada para derrubar o governo. Afinal, a jararaca oriunda das redações seduziu o pobre [?!?!?!?!] e inocente [?!?!?!?!] senador alagoano.) É senador se penitenciando, em nome da Virgem Maria, no plenário do Senado, em cadeia nacional de rádio e de TV, por supostamente devolver [?!?!?!?!] um troco SETE vezes maior [?!?!?!?!] que a quantia emprestada por seu amigo empresário, para comprar uma bezerra (ps II: não, não é o bezerro de ouro da história bíblica. Para saber mais sobre ele, procure por Moisés e iconoclastia, não por senadores de Brasília.) É a nossa invejável coleção de suplentes, aqueles que, como a viúva Porcina foi sem nunca ter sido, num claro caso de que menos é mais (ps III: neste caso, zero voto é mais, muito mais.) É nosso presidente “filho de mãe nascida analfabeta” e “nunca na história deste país…”, que não sabia de nada, e continua sem saber, muito menos do que ocorre nos pseudo-aeroportos do país (ps IV: parafraseando Leonel Brizola: “Diminua a uca, companheiro.” Não custa relembrar que, devido a uma ressaca mais forte do pé-de-cana da época, Jânio Quadros, nosso país… Ah, deixa pra lá, todos sabem como continua a história…). São nossos ministros do turismo [sexual?!?!?!?] “relaxa e goza” e da fazenda [Mr. Magoo?!?!?!?!?] “a culpa é do crescimento da economia”. São os mensaleiros, sanguessugas e tesoureiros, felizes, festivos, livres, leves e soltos com seus Land Rovers e roupas de baixo dignas do Tio Patinhas. São nossos governos estaduais que, mostrando a total falência do Estado de Direito, não têm outra alternativa senão justificar as mortes de inocentes na guerra total contra a criminalidade, relembrando os discursos de Joseph Goebbels ao incentivar o povo alemão a abraçar a guerra total, ou de Paulo Maluf, ex-governador competente de São Paulo, segundo o também ex-governador Mário Covas, já que sempre competia, mas nunca ganhava: “Vou botar a ROTA na rua!” (ps V: TUDO é culpa da imprensa. Essa criatura sanguinária e sensacionalista que quer ver e vender apenas sangue. Imprensa MARROM, atrás apenas do espetáculo, atrás do próximo corpo destroçado, igual a um urubu faminto). Tudo na mesma. O mesmo qüiproquó de sempre.

Devo confessar que sou fascinado pelo termo qüiproquó. Significa tomar algo em troca de alguma coisa, muitas vezes um engano ou confusão. A primeira vez em que ouvi o termo foi quando assisti a O Silêncio dos Inocentes. Existe a troca de informação entre a agente do FBI Clarice Starling (Jodie Foster) e o psiquiatra canibal Hannibal Lecter (Anthony Hopkins). Clarice revela detalhes de sua infância traumática enquanto Hannibal dá pistas sobre como capturar o serial killer Buffalo Bill (Ted Levine). Qüiproquó, ou eu mostro o meu e você mostra a sua, segundo Lecter.

Somos o país da lei de Gérson (levar vantagem em tudo) e do qüiproquó institucionalizado, seja pelo troca-troca, seja pela confusão e a balburdia entrincheirada em nossa sociedade. Somos um povo alegre e carnavalesco, confusos e indolentes por natureza, deitados eternamente em berço esplêndido. “Ó duvida cruel, esbórnia ou labor, eis a questão”. Sem querer parecer um moralista, mas já parecendo, somos também um dos povos mais precoces do planeta no quesito sexualidade. Em seus estudos sobre o inconsciente, Sigmund Freud demonstrou que experiências sexuais na infância tornam-se indeléveis nos indivíduos, seja essa experiência boa ou má. Seja em caso de abuso sexual ou de brincadeira consentida por ambas as partes. É o qüiproquó sexual. “Eu mostro o meu e você me mostra a sua, Clarice”.

Nem se Freud ou Thomas Harris – escritor da série de livros que tem o personagem Hannibal Lecter – tivessem um contato com a sexualidade infantil de nossa classe política, explicariam com precisão o que ocorre no Brasil. O qüiproquó sexual torna-se o qüiproquó institucional. Marcas indeléveis na mente de nossos parlamentares, presidentes, ministros, governadores tornam-se uma constante para o resto da vida. “Você paga minha pensão alimentícia, e eu apresento as emendas no orçamento que vão beneficiar a sua empreiteira”. “Você me ajuda a comprar a vaquinha, que aí eu fico no seu bolso”. “Você me ajuda a desencravar umas unhas, e eu passo a fazer parte de sua bancada”. “Você me dá uma grana, que eu aprovo reeleição, privatização e o diabo a quatro”. “Você assume a culpa e diz que eu não sabia de nada, ai tu ganhas uma ajudinha de custo com os advogados e uma pensãozinha por serviços prestados ao partido”. “Você esconde o dinheiro na cueca e leva até São Paulo, que eu te dou um cargo na assembléia”. “Você faz a recolha para financiar minha campanha, que eu garanto o cargo no departamento que você quiser”. Uma mão lava a outra e as duas lavam a bunda. Neste caso, a bunda é do Zé Povinho, de Rafael Bordalo Pinheiro. E pensar que tudo começou como um inocente troca-troca infantil…

Façamos como sugeriu nossa ministra do turismo e celebremos nossa precocidade sexual. Celebremos o qüiproquó! Nenhum artista, nem Picasso ou Dalí, seria capaz de criar algo tão surreal e irreal como nosso país, até porque aqui no Brasil, se duvidar, nem a Virgem é mais virgem… (ps VI: como diria o ex-comunne (comunista de Sorbonne) FHC: “Esqueçam o que escrevi”. TODOS citados são INOCENTES. A culpa é TODA da IMPRENSA que, fugindo de suas funções de noticiar o ocorrido (e louvar a quem deve louvar, além de curvar-se perante nós quando ordenado que o faça), envolve-se na vida particular de nossos homens públicos DE BEM [!?!?!?!?].

Não se deve ouvir essa IMPRENSA SANGUINÁRIA, SENSACIONALISTA, PEQUENO-BURGUESA, CONSERVADORA, NEOLIBERAL E R-E-A-C-I-O-N-Á-R-I-A, que povoa nossa grande, gloriosa e simplesmente sensacional PÁTRIA. E viva a chapa branca! Longa vida aos áulicos!

 

Luiz Giaconi

A gama de recursos que oferece a Internet é vasta e, provavelmente, não foi de todo explorada. É inquestionável que essa chamada e badalada web 2.0 assusta o conservadorismo de (in)certas editorias. Além da expansão das ferramentas terminadas em “ogs” nas expressões blogs, fotologs, videologs e afins, a febre atual são os wikis.

Os diferenciais visíveis são velocidade e espaço físico – neste caso, virtual –, que outras mídias têm menos a oferecer. Assim, o processo de gatekeeping, em que portões simbólicos impedem a publicação de certas notícias, é menor na Internet, senão inexistente.

Axel Bruns (em Gatewatching, Not Gatekeeping: Collaborative Online News) diz que o jornalista internauta passa a ser um bibliotecário, colecionando o maior número possível de notícias e as distribuindo de acordo com a preferência do público. O que pode ser feito, inclusive, pelos próprios leitores. Ele propõe, portanto, que, em vez de gatekeepers, a expressão correta para os responsáveis pela seleção seja gatewatchers.

Gatewatching, segundo ele, é a “observação dos portões de saída de veículos noticiosos e outras fontes, de modo a identificar o material importante assim que ele se torna disponível”. Ou seja, quase tudo se torna disponível, mas a disponibilidade não significa importância necessariamente.

Numa extensão de sentido, excluídas as proporções indevidas, esse processo talvez também ocorra nas agências de notícias.

Mas, espere aí. O gatewatcher não precisa ter diploma de jornalista. Qualquer um pode publicar notícias. Seria o jornalismo sem jornalistas ou, ainda, o fim do jornalismo? Caio Túlio Costa, na edição n° 18 da Revista Líbero, escreve:

(…) essa web aposta na participação ativa do usuário comum, o não-profissional, na produção de notícia e de informação. Em 2006, ele [o jornalista Scott Karp, colunista em http://publishing2.com] não tinha dúvida de que essa mecânica alcançara uma boa audiência de nicho, mas se perguntava se funcionaria para audiência de massa. A mudança de paradigma não está mais no ar, está na rede. Chamado de internauta repórter, repórter-cidadão ou jornalista-cidadão “citizen journalist”, sua constituição provocou reações da velha mídia em medida complexa e ambígua, mas bastante inferior à explosão da colaboração de “amadores” na rede mundial. Alguns sustentáculos da velha mídia reagiram cooptando os amadores. Outros reagiram criticando-os, naquela situação típica do jus esperneandi, aquele direito sagrado de espernear, contestar, reclamar.

Fica a dica do Fotorepórter, lançado pelo novo portal do Estadão (www.estadao.com.br), que, aliás, adequou-se às táticas blogueiras, utilizando-se de tags, vídeos e podcasts. Com a chamada “Suas fotos podem ser publicadas no jornal”, o Estadão rendeu-se à era do jornalista-cidadão. E o melhor – depende para quem – é que, se publicadas as fotografias, o autor será remunerado como um profissional do ramo.

No sítio Brasil Wiki! (www.brasilwiki.com.br), há uma página com as notícias barradas. Veja o exemplo:

Discussão dificílima. É jornalismo ou não o é? Seria webjornalismo? O número de blogs só tem crescido. Anos atrás, existiam apenas diários, com as mais variadas interfaces (no jargão do meio, templates). As meninas gostavam de Hello Kity; os rapazes, de times de futebol. Grandes veículos de mídia, freelancers, desocupados, donas-de-casa e porteiros de prédio gostaram. E postaram, para nunca mais parar.

Li, não sei onde, e não me cobre, uma sacada genial a respeito. Como é possível cravar se o que um jornalista faz em seu blog é jornalismo? A imprecisão persiste, dado que uma novela escrita por jornalista não se constitui em jornalismo.

Não me causa confusão, é evidente, a reprodução de conteúdo impresso em sítios, como é o caso dos grandes jornais da capital paulista. Mas achei bem indigesta a interrogação do parágrafo anterior, até mesmo quando se trata da cobertura dos grandes portais de Internet, como UOL, Terra e iG. Afinal, desconheço o funcionamento dessas redações.

Se você não ficou confuso, é mentiroso, estudante de Jornalismo e tem um blog. Ao persistirem os sintomas, junte-se a nós nesse taekwondo filosófico.



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Se bem me lembro, a célebre frase I’ll be back foi dita pelo Exterminador do Futuro, vivido por Arnold Schawzenegger nas telas do cinema. O que de fato ocorre é que o ex-mister universo mudou de ramo, hoje é governador da Califórnia. Mas ele tem alguns companheiros atores que tomaram a frase do Terminator personagem como lema.

Um ótimo exemplo é Silvester Stallone que, 17 anos depois de ter lançado o não menos grotesco Rocky V, retornou às telas de todo o mundo fazendo novamente o papel do garanhão italiano, o boxeador Rocky Balboa, em Rocky VI. Como se não bastasse, Stallone, com apenas 61 anos, resolveu reviver (de novo!) o guerrilheiro Rambo. E tudo isso 19 anos depois do último filme da série. O nome da nova proeza de Sly é bem criativo: Rambo IV. Apesar de não se poder esperar grandes coisas de Stallone, deixo registrado o meu repúdio.

Mais um caso que me entristece é o de Harrison Ford e o projeto Indiana Jones IV. Apesar de ser fã de carteirinha da série desde que era apenas um pequeno comediante vindo do Ceará em cima de uma mula, imaginar Indie sendo interpretado por Ford, que já atingiu a marca dos 65 anos (ta aí, devia vir para o Brasil e se aposentar), não é das tarefas mais animadoras. Confesso que irei ao cinema, comprarei um balde de refrigerante e um ainda maior de pipoca e ficarei torcendo para que queime a língua e o filme seja digno de estar em uma das melhores (ex)trilogias do cinema.

E o pior de tudo é que tenho um estranho pressentimento de que essa será a nova moda do cinema. Portanto, preparem-se para ver por aí um novo De Volta para o Futuro, quem sabe um Goonies II e, muito provavelmente, um outro Lagoa Azul. Só espero que, desta vez, não mostrem os seios da Brook Shields, uma criança de 42 anos de idade.

 

André Sender

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

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