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Cansei-me, eis a verdade. Cansei-me da juventude fraca, insossa e sem ideais. Da velha covardia e omissão que acomete as massas. Da ignorância que se vende em frascos cada vez maiores e mais baratos. Da cara amassada do Bush. Das tristes formas da Condoleezza Rice. Da inteligibilidade chavista . Do sexo como uma competição. Desses sons disformes que insistem em chamar de música. Dos padres inconseqüentes. Dos bispos evangélicos milionários. Da liberdade utópica que nunca existiu. Da ânsia pela fama sem sucesso, pelo sucesso sem trabalho. Das magricelas que atemorizam as adolescentes cheinhas. Do corintianismo da globo. Da omissão da globo. Da parcialidade da globo. Da manipulação feita pela globo. Da globo. Dos civis boçais que esperam ardentemente pela próxima Caras, para ver ao certo quem comeu quem. Dos assassinatos na faixa de gaza. Dos liberais conservadores e dos conservadores liberais. Dos tios que matam por Alá pensando encontrar o paraíso, já que vivem o auge lamentável da emotividade. Dos tios que matam os que matam por Alá, pensando ser essa a solução. Dos mocinhos bandidos e dos bandidos mocinhos. Da monopolização. Das exclusividades injustas. Das características repugnantes que chamam de “peculiaridades”. Do PT tentando ser PSDB que, por sua vez, tenta ser PT. Da centralização descentralizada. Da sexualidade gozada nas edificações. Enfastia-me o homem que se gaba por chegar a Marte enquanto não conseguiu dar jeito na Aids, na leucemia e na desigualdade. O político que disponibiliza a progenitora em troca de sua barra limpa, que clama por CPIs, que evidencia interesses partidários, que rechaça o progresso, enquanto fazem o que querem da Amazônia. O falar que nunca chegou perto do fazer.

E, por fim… a esperança, e apenas ela.



Murilo Machado é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Certa vez, a professora do Fundamental, Dona Tinha, e seu esposo, Edu, resolveram levar o pessoal em excursão ao Rio de Janeiro. A turma era grande. Quando ela levantou a idéia em sala, somente dois alunos se interessaram. Até hoje, não se sabe quem levantou a mão primeiramente. A discussão perdura. Um invejava e imitava o outro, apesar de serem os antônimos em carne e ócio.

O resto da galera também foi. Claro. A prefeitura bancou o passeio de ônibus. O filho pequeno da professora não parava sequer um segundo durante a viagem. Chamava todas as meninas, mais velhas que ele, de japonesas (?) de cabelo verde. O peralta adorava inventar charadas e também mudar a voz.

Lá no Rio de Janeiro, que continua lindo, continua sendo… A primeira visita foi ao Maracanã. Luisinho esboçou um sorriso acanhado. Corintiano que era, ergueu o sorriso até a testa quando o Coringão entrou em campo para enfrentar o time de Garrincha. Talvez tenha sido essa a razão de se interessar pela viagem. Será, então, que o Fernando foi o segundo a levantar a mão? Deixo pra lá.

Na van, do lado de fora, o marido da professora ouvia rap, com o filho se debatendo em seu colo. Canta punk, pai. Canta punk!, suplicava o garoto.

Aos 13 do segundo tempo, “gol do Timão, porra”. O que é isso, Luís? Desculpe, companheira. Que não se repita! Depois do jogo, a galera foi até o Redentor. Enquanto todos ajudavam na campanha do Vote Cristo, Fernando Enrico escrevia em seu diário de ateu e gargalhava os 2 a 1 de virada do Botafogo aos 45. Quarenta e cinco!

Às costas do Cristo, Renan se pegava com uma menina da classe. Os gemidos invocaram a Dona Tinha. Meu Deus! “Não é nada disso que está pensando, professora. Posso provar”, conseguiu balbuciar, quase vencido pelas forças da natureza que o amoleciam. Tudo bem, menino, relaxe e goze. Só me espantei com… Uau. Rum. Nem vem, pode tirar seu bondinho da chuva.

Algumas crianças, que não eram da escola e sim parentes de alunos, queriam saltar de pára-quedas. Não deu. A justificativa do instrutor foi “apagão aéreo”.

No fim do dia, Luisinho e Fernando Enrico continuavam a trocar farpas. Edu, Dona Tinha e seu filho descansavam em um banco do calçadão. Os sungas-pretas de Copacabana travavam uma peleja no futevôlei. E Renan tocava solitário (!). O refrão, bem me lembro: Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? Inspirou uma banda de Brasília, mas o título original da música continha seu nome.


Contemporâneas:
“Se Deus quisesse que a gente voasse, já nasceríamos com as passagens na mão”
“Bigamia: estado civil com uma mulher a mais. Monogamia: idem”



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Zap… Zap… Zap…

Mas que droga! Toda vez é a mesma coisa!

Maldito barulho que não me deixa dormir! Toda noite é a mesma história. Justo quando eu começo a pegar no sono, essa merdinha de barulho vem e me diz que eu não tenho mais esse direito. Faz anos que eu não consigo ter uma noite de sono decente e tranqüila por culpa dessa coisa que me atormenta. Estou cheio disso.

E, quando não é o “Zap-Zap” dos infernos, são esses cabos. Os tubos, fios, sensores, receptores, monitores e o plasma, essa parafernália toda que me espeta e me perfura, que me mantém preso o tempo todo, e que, mesmo assim, não me deixam ter uma noite bem dormida. Quem diabos conseguiria dormir tranqüilamente com esses parasitas todos o amarrando o pensamento?

Que saudades eu tenho de dormir… Quando eu me esforço um pouco, ainda consigo me lembrar daquelas noites de sono veladas que eu tinha quando era criança… De quando eu acordava assustado, no meio da noite, meu pai vinha e se deitava ao meu lado e ali ficava acordado até que eu caísse no sono novamente. Lembro-me ainda de quantas cantigas e histórias minha mãe não inventou só para me ver dormindo o sono dos justos. Eles morreram faz dois anos e eu não pude ir vê-los… Nem mesmo no leito de morte de meus pais essas agulhas me deram folga por alguns dias. Era sempre alguma coisa “urgente”. Fiquei preso a elas por tempo demais, eu acho…

Hoje, quem se deita ao meu lado são meus filhos e minha mulher. Ela está ali, dormindo no sofá. Que inveja que eu tenho dela neste momento! Os cabelos castanhos caem do travesseiro improvisado feito de almofadas e quase se encostam ao chão. Impressiona-me agora que, mesmo depois de dois filhos e do tempo que não foi muito generoso, ela ainda tenha o corpo torneado que tinha quando nos conhecemos na faculdade, vinte e dois anos atrás… Parece que faz tanto tempo! As coisas naquela época ainda eram preto no branco. Uma outra vida (para mim, pelo menos), e ela ainda faz aquele barulhinho quando dorme. Um sussurro bem baixinho que mal consegue escapar da boca… Mesmo depois desses anos todos…

Eu ainda me lembro das noites em que costumava ficar acordado por horas e horas depois que ela adormecia só para poder ouvir o sussurro. Eu sorria feito um idiota toda vez. Uma daquelas pequenas coisas que fazem as pessoas se apaixonarem, eu acho.

Eu me recordo que, quando eu a ouvi dormindo pela primeira vez (depois da primeira vez em que fizemos amor), foi quando soube que poderia passar o resto da vida ao seu lado. Feliz.

E veja só como você está agora, meu caro. Você arruinou a vida dessa mulher. Vamos, diga-me que felicidades tem dado a ela ultimamente? Que vida junto a ela você tem tido? Ainda pode dizer que estará com ela na saúde e na doença, pronto para o que der e vier quando até mesmo esse barulhinho maldito fica no seu caminho?

Vinte e dois anos de casamento, dois filhos, um bom emprego, uma vida pacata, e você estragou tudo, seu merda! Você já não consegue nem acordá-la mais como costumava fazer. Não tem a capacidade nem mesmo de beijar-lhe a testa de manhã por que esse maldito tubo respiratório que o mantém preso não deixa. Aqueles abraços, antes do trabalho? Não com o soro e os sensores, não senhor. Pode esquecer os almoços de domingo, meu chapa. Alimentação agora é papinha de neném direto na veia. Você é um prisioneiro desse aparelho, é ele que o mantém vivo.

Admita, você é um pé de alface vestindo o mesmo pijaminha ridículo todo dia. Não é mais quem você era. Se você se olhasse no espelho agora, diria que estou certo. Você é um osso. Branco, magro, com as olheiras quase tocando a nuca. Ela é a mesma mulher por quem você se apaixonou, mas e você? Pode dizer que ainda é o mesmo homem que ela amou? Com essa cara chupada e esses piercings todos que ficam pendurados em você vinte e quatro horas por dia, você pode dizer que ainda é o homem que a fazia feliz? Raios, que sono!

Se você vai fazer alguma coisa da sua vida, faça-a agora, antes que algo mais aconteça.

Está quase amanhecendo… Daqui a pouco aquela mulherzinha vai trazer os dez comprimidos matinais, vai olhar para a sua cara de quem não dorme faz um século e vai dizer: “Bom dia.”.

Mulherzinha falsa. Que sabe ela de mim?

É isso, meu velho. Para o diabo com tudo isto! Está na hora de dormir, merecidamente.

Com alguma dificuldade, consegui-me desvencilhar da maioria dos parasitas, o resto continuou me chupando o sangue.Mas que isso me importa? Eu estarei sonhando, afinal.

Vesti minhas pantufinhas, demorei-me um pouco para conseguir achar o chão familiar novamente, mas com algum esforço eu ainda conseguia andar. Fui até o sofá, ajoelhei-me ao lado da minha mulher e ouvi por longos segundos aquele sussurro. Sorri. Beijei-lhe a testa e disse: “Estou indo já, meu bem. Tenha um bom dia”.

Ela sorriu.

Desliguei. Desconectei. Descansei.

Caminhei para a porta e segurei a maçaneta por alguns segundos. Não havia mais “zap-zap” nenhum… Enfim, paz. Abri-a sem fazer ruído e saí corredor afora.

Chega de vida, é tempo de sonhar.



Vitor Tritto é estudante de Jornalismo e escreve com
prazer quase sexual nessa coluna às quartas-feiras
entre uma cerveja (gelada, por favor) e outra.

Como disse Isaac Newton:

Lex III Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.
(A toda ação há sempre oposta uma REAÇÃO igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.)

Isto é REAÇÃO. Ninguém explicaria melhor.



Luiz Giaconi é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às terças-feiras.

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Marcelo Cabrera é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às terças-feiras.


O sonho é dano,
                            a fantasia inútil,
é preciso
              arrastar
                             as rotinas do tédio.
Mas ocorre
                   que a vida
                                     tome um perfil inédito,
e revele
              a grandeza
                                 através do que é fútil.



Ricardo Berezin é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Ao que consta, chegamos a mais uma ocasião interessante na vida política brasileira. Renan Calheiros pode-se tornar o homem mais importante do país desde seu antecessor, o então ex-gorducho deputado e presidente do PTB Roberto Jefferson.

Naquele tempo, Jefferson não viu atendidas suas regalias pelo governo Lula que, ao contrário dos tempos reais de FHC, não obteve êxito nem ao malufar o Congresso. Dessa forma, não caiu sozinho. Agarrou-se principalmente a José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil e grande articulador do partido do presidente.

Embora maior número de quedas parecesse iminente, o Legislativo lembrou-se de que estava no Brasil e, portanto, a situação era inadmissível. Desde sempre, as expressões parlamentares cassados e nação brasileira são altamente inconciliáveis. Além disso, a onda de podridão começava a alcançar os fundos da representação centro-direita (rotulação descabida) do país. Fim de papo.

Hoje, vê-se situação semelhante. Renan Calheiros, presidente do Senado, atuante em todos os governos pós-ditadura, é acusado de receber lobby. Instala-se forte crise política e o Conselho de Ética do Senado tem de tomar partido. Por fazer parte da base governista, Calheiros espera ansiosamente por ajuda, que não vem. Promete, pois, não cair sozinho.

Eis a chance de o senador prestar o maior serviço de sua trajetória política à população. Confesso que, logo no início da perseguição a Renan, torci para que fosse já abafada. A crise que deflagraria poderia acentuar as ruínas em que vivem nossos parlamentares. Entretanto, Renan dá indícios de que tem algo a dizer. Se contrariados, alguns humanos se tornam agressivos. Então, que seja. Vamos chacoalhar a republiqueta!



Murilo Machado é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Crédito - http://tiras-zero.blogspot.com

“A malandragem é a arte de disfarçar a ociosidade”

Millôr Fernandes



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

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