You are currently browsing the monthly archive for Maio, 2007.

Das várias formas de comunicação contemporânea, validadas pela internet e seu considerável alcance global, inferem-se duas premissas que se diligenciam para compreender o campo informativo atual: a primeira é a de possibilidade, através de blogs e jornais virtuais, de propagar qualquer tipo de informação; a segunda, pronunciada mutuamente através da primeira, é a indagação de quão verídicas são essas notícias.

Concisamente, a forma virtual de reproduzir informações é vigorosa em seu aspecto colaborativo. Afinal, a crescente aparição de blogs e antros de reportagem germina incessantemente qualquer tipo de notícia, muitas vezes falseando-se como um órgão jornalístico para proferir ideais que beiram o vazio ideológico de jovens ociosos e praticantes da filosofia de botequim. Aqui cabe a citação de Roberto Musil em seu livro O Homem sem Qualidades: “não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem”.

A mal desmistificada revolução virtual e o falso paradigma da unanimidade estudantil universitária como referência de intelectualidade acabam por fecundar uma sociedade imoral. Ela apresenta índices de baixo desempenho escolar, de crescimento do alcoolismo, de uso de drogas e de valorização do perfil pútrido do pseudo-intelectual.

As reivindicações e as formas virtuais de difusão de conhecimento deveriam separar-se das pulsões pessoais de seus ativistas e assumir um caráter geral de formação de pensamento. Antes de ufanar a publicação de uma notícia, pensar em seu campo de abrangência como forma de expansão do capital simbólico da sociedade deveria ser a atitude tomada por seus feitores. Assim, a moral e a verossimilhança da população e das informações seriam retomadas.



Francisco Spagnolo é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quintas-feiras.

Nada de textos apaixonados desta vez. Ficaremos com uma música nesta semana. Uma música que, imagino, reflete o sentimento de os que aqui nasceram e cresceram.


Flicts – Paulicéia De Todas As Cores

Enterrem
Meu coração
Na curva
Mais longa
Da Marginal Tietê
Na cidade quero me perder!!!


Quando um dia eu não mais agüentar
E com a cidade não mais puder bailar
Quero que enterrem o meu coração
Na curva mais longa da Marginal.


E se porventura uma noite eu tombar
Sem que a cerveja possa me acompanhar
Quero que enterrem o meu coração
No meio da esquina em frente ao real.


Que o coração continue batendo
Que as amizades continuem vivendo
Que os amores continuem sangrando
E que o coro continue cantando


São Paulo! São Paulo!
Paulicéia de todas as cores
São Paulo! São Paulo!
Tristeza e ódio! Alegria e amores!



André Sender é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quintas-feiras.

 O AMOR

Se pudesse, amar-te-ía para sempre
E, a cada novo dia, deitar-te eu viria
Mil rosas e abraços
Todos os meus beijos e malícias
Dúzias de bombons e afagos
Viveríamos em lençóis e de caricias
Mas fica para daqui a quatro dias
Trouxe o absorvente. Me liga, tá?
E assim viveram felizes para sempre.

O SEXO

Sou um impuro, indigno de teu amor e de tua paixão
Que me faz sofrer ao ver
Tua doce mão sobre as minhas calejadas de tanto pecar.
Tua pele alva e sedosa na minha suada
Os teus doces olhos azuis sobre estes vermelhos de pecado
Tua boca macia que beija a minha malcriada
E este teu virgem sexo em minha herpes mal-curada.
Mas como eu já pequei mesmo…

A CASTIDADE

Meu Deus, quando Teu divino amor me possui
Só posso amar a Ti, em toda a Tua grandeza e tamanho
Pois quando fecho os olhos, tomada pela Tua graça, me sinto bem… Muito bem.
Oh! Meu Deus! Não deixes de me amar nunca! Jamais! Não pare! Continue!
Oh Meu Deus!
Meu Deus!
Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
Ai meu Deeeeeeeeeeuuuuuuuussssssss!
Amém.

Revirai-te, Shakespeare. Regozijai-te, Sade. Penitenciai-te, Edir Macedo.
Os tempos modernos chegaram.

“Fazer tolices em prosa e narrá-las em verso.”



Vitor Tritto é estudante de jornalismo e
escreve nesta coluna às quartas-feiras
(e, por que não?) entre uma cerveja
(no capricho, bigode) e outra.

Mais corajoso do que Indiana Jones! Mais nobre do que Mr. Bean! Mais veloz do que Claudinei Quirino! Mais forte do que o Maguila!

Qual Super-Homem, qual nada! Qual Batman, qual nada!

Vocês, garotinhos e garotinhas juvenis, criados a leite com pêra, ovomaltino, na geladeira! Estão hoje testemunhando o nascimento de um herói diferente dos demais – um herói alternativo, um herói do povo!

O Hómi Passarito é o herói do terceiro mundo! É o herói que representa todo o charme e suingue do glorioso povo latino-americano.

AVÔA, HÓMI PASSARITO! AVÔA!



Marcelo Cabrera é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às terças-feiras.

Neste domingo, à meia-noite, encerrou-se o período de transmissão da RCTV, maior canal de televisão da nossa vizinha, a Venezuela. A razão para o encerramento das atividades foi a não-renovação da concessão de transmissão. O governo de Hugo Chávez considera que a RCTV apoiou o golpe contra ele em 2002 e que a rede desferiria ataques graves e gratuitos contra ele.

A medida gerou várias críticas no mundo todo. Organizações de defesa da liberdade de expressão condenaram veementemente o ato, da mesma forma que o fazem o Parlamento europeu e o Senado norte-americano.

O caso expõe as fragilidades da democracia latino-americana. Num continente recém saído de governos totalitários (ainda presente na ilhota de comandante Fidel), as ações de Chávez são um Deja vu. Em um passado recente, militares populistas e juntas governistas comandavam os países do continente.

Passado recente doloroso para a imprensa latino-americana, que se viu cerceada na liberdade de noticiar e de denunciar e que, se fosse considerada contra-revolucionária – ou contrária aos interesses ditos nacionais – deixaria de existir. Imprensa tolerável era apenas a chapa branca, aduladora do governo e de seus ideais. A imprensa dócil e calada é a chave para o totalitarismo.

Esse totalitarismo se alimenta da falta de informação contrária à imprensa oficial e à mídia dócil. Hugo Chávez, com sua revolução bolivariana e o socialismo do século XXI, não foge à regra de ditadores latino-americanos. E a história acaba se repetindo como farsa.



Luiz Giaconi é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às terças-feiras.

Mutirão da Cidadania, periferia de Rondonópolis-MT. A PM demonstrava como se comportaria em um seqüestro com reféns dentro de um ônibus. Não utilizou balas de borracha, mas sim munição de verdade. Nove feridos, entre eles seis crianças, e um morto: Luis Henrique Dias Bulhões, de 13 anos. O episódio foi transmitido em telejornais, como outro qualquer episódio trágico: cerca de dois minutos de reportagem precedidos de uma introdução do acontecimento pelo âncora, com expressão de tristeza. Não se tornou primeira página de jornais. Na Folha, apenas no caderno Cotidiano – sim, uma morte dessas é algo corriqueiro. N’O Estado de São Paulo, sua atenção na primeira página era roubada pela Operação Navalha, pelo “Figueirinha” de A Diarista, ou até mesmo pela propaganda do vídeo do Peter Pan. No caderno em que a matéria é encontrada, nada de Luis Henrique. Destaque para garçom, destaque para mortes de dois anos atrás no zoológico. E Luis Henrique? “Um morto em simulação da PM”. Para que dizer o nome?

Tudo resultado de uma simulação. Afinal, simular para quê? Quando se tornou importante simular a reação à violência? Violência gera violência: é chavão, mas é fato. O que é a simulação senão uma exibição de como os policiais heroicamente salvariam a população? Criticamos a violência e a prepotência dos militares norte-americanos, mas, brevemente, nossa polícia chegará a um nível muito similar, já que se gaba de seus feitos como se não fosse parte de sua obrigação defender os civis. Em “Tiros em Columbine”, documentário de Michael Moore, fica claro que implantar o medo na população traz como conseqüência a violência e, portanto, mais medo. Claro que motivos para temer a violência não faltam no Brasil, mas de que maneira uma simulação gera segurança a populações? O que faz uma simulação a não ser lembrar aos presentes de que a situação poderia mesmo ocorrer, fazendo com que temam o inexistente? Talvez uma simulação traga sim benefícios: para os policiais, que terão sua auto-estima mais alta, ou quem sabe para os bandidos aprenderem como se defender. Foi realmente necessária a morte de um menino e mais nove feridos para que simulações fossem suspensas em Mato Grosso? Até onde vai a culpa da negligência dos policiais que não conferiram se as balas eram de festim e onde começa a negligência da sociedade que admira o poder da PM ao ver a violência com que bandidos são tratados, a repressão de manifestantes ou as simulações de situações ameaçadoras?

Luis Henrique Dias Bulhões. Todos nos lembramos de João Hélio Fernandes, aquele que foi capa de revistas, primeira página de jornais, mobilizou a sociedade, fez refletir. E de Luis Henrique? Iremos nos lembrar? Questionaremos a violência novamente? Iremos parar e verificar o que podemos fazer para acabar com o ciclo da violência? “E agora?” Agora, nada. É apenas cotidiano.

 

 

Andrezza Alves é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às segundas-feiras.

Sou totalmente contrário às rotulações. Penso dessa forma porque qualquer rotulação, seja qual for o contexto em que esteja inserida, não prescinde de certa conclusão. As conclusões, por sua vez, provêm de certezas. Eis o ponto. Porventura se faça desnecessário dizer que essas últimas não existam senão nas imaginações mais otimistas e plurais.

Continuo a dizer perseverantemente que a esquerda sumiu. Tudo o que se vê, no Brasil e no mundo, são vozes desconexas que tentam provocar algum tipo de desordem. Com relação à direita, se não sumiu, trataram de sumir com ela.

Embora tais rotulações, como dito, não façam o menor sentido a mim, vejo que significam muito a bastante gente. Quando opino sobre a greve na boa (?) e velha (!) USP, chamam-me de reacionário. Vejam só…

Caso se faça qualquer tipo de alusão ao progresso de outrem, batata: eis um esquerdista. Quando se preza pela ordem e se defende o cumprimento das leis, que raios faz um reacionário em uma pátria democrática? Porcos capitalistas, elite caucasiana e heterossexual!

Quanto à famigerada greve, sigo “reacionário”: Sintusp manipula massas e envergonha eméritos ex-uspianos. Não faz questão de esconder que se trata de uma luta política. Estou com Reinaldo Azevedo: querem um mártir. Depois disso, levantam-se e saem sem o menor problema.

Alunos sensatos da FFLCH (que constituem boa parte do corpo discente) encontram as portas das salas de aula fechadas. Fez-se o que se quis com o direito de ir e vir tanto em tais salas quanto na reitoria. Fiquem à vontade para rotulá-los…

 

 

Murilo Machado é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Não se trata de uma comparação. Rio de Janeiro e São Paulo são notoriamente distintos e não devem ser analisados analogamente. No entanto, a similaridade que essas duas metrópoles possuem ultrapassa os limites do padrão de brasilidade.

Adoto agora a alcunha de paulistano-que-sonha-com-o-Rio. Vou além! O sonho é tamanho que, mesmo sabendo ser praticamente impossível tirar uns dias na Cidade Maravilhosa, insisto em querê-la para mim. E é aí que a orquestra automobilística começa a ter sonoridade de botequim.

A caminho de casa, é fácil enxergar o vão do MASP como antro de uma capoeira ideológica. Mendigos fantasiam-se de apenas boêmios fraternos em busca do último gole de sanidade. A arquitetura retilínea do prédio, até então hermética e inócua, curva-se diante das saias que passam, coordenando serpentinas em forma de chuva.

Pelo cruzamento da Paulista com a Consolação, pouco antes feito poema que, quando cantado, pasma suspiros alumiados por amantes à beira-mar, consola-se, por fim, um verdadeiro tômbolo fluminense: o centro histórico e suas ladeiras guardam cantorias gentis e gente que hora ou outra também continuam sendo.

Não só como sonho, venha à Paulicéia, você nunca vai se sentir tão carioca.



Francisco Spagnolo é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quintas-feiras.

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

a