You are currently browsing the monthly archive for Abril, 2007.

A revista Caros Amigos deste mês trouxe um dos melhores conteúdos de sua história. A fim de tentar formalizar uma solução ao dilema O que é ser de esquerda?, trinta e seis entrevistados foram convidados a discorrer sobre suas percepções concernentes ao tema. Após ler perseverantemente todos os depoimentos, cheguei à seguinte conclusão: não há conclusão.

Ao analisar as declarações em um conjunto, elas se tornam desconexas e incoesas. Houve quem relacionasse esquerda a sentimentos hospitaleiros. Houve, inclusive, quem a vinculasse à posição atual de defesa do meio-ambiente. Aqueles textos denotam as matizes de um movimento partido e pouco auspicioso quando comparado àquilo que um dia representou.

Desde 1989, com o fim lamurioso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a esquerda pareceu ter-se visto perdida em meio a um mundo de transformações frenéticas. Tal dinamização descaracterizou uma corrente de pensamento até então razoavelmente definida e, em alguns casos, efetiva. Mesmo o ex-futuro-promissor Partido dos Trabalhadores se dizia inteiramente de esquerda. Hoje, seu maior representante e, por mero acaso, maior representante do Brasil, declara que não há quem permaneça de esquerda após alguns anos de estrada.

Minha posição é totalmente avessa às rotulações. Não há a menor necessidade de portar a designação de esquerda para alguém ser favorável à promoção de outrem. Da mesma maneira, não há sentido na rotulação de direita quando não se é partidário de determinadas mudanças na sociedade. Não se trata essencialmente de preconceito ou egocentrismo. Aliás, é mormente em função de tais rotulações que, por diversas vezes, o Congresso pára. Não se pode dar prosseguimento a nada, uma vez que a patota da rotulação adversária fez cara feia ou roubou um sanduíche de amendoim.

É à luz desses preceitos que digo que a esquerda, como o ideário que porventura tenha representado, perdeu as diretrizes de que se utilizava para agir. Perdeu a tonalidade do sangue vivo que serviu como seu signo maior. Perdeu a representatividade de uma autoridade prosternada. Perdeu-se.



Murilo Machado é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Andando pelas ruas dessa cidade, tudo me impressiona pelas similaridades. Vivo o parecido com o antes, idêntico ao ontem. No entanto, as inúmeras igualdades quebram-se na rotina do dia-a-dia, as diferenças presenciadas seguem, insistentemente, a mecanização dos meus atos. Não se iludam, a observação é a chave para o devaneio das horas plácidas, o nada inexiste e é um milagre.

Quinta-feira, caminhando sob o sol escaldante, as mesmas travessas de sempre concederam-me uma cena curiosa, lição comovente em sua simplicidade. Um menino, havaianas nos pés, boné na cabeça, transviava seus malabares com destreza e convicção. Até aí, nenhuma ruptura na normalidade cumulativa. Porém, ao observar atentamente seus movimentos, percebi a originalidade de seu material de trabalho. Consistia em três objetos esféricos: duas bolinhas de tênis (verdes de tão maduras) e um limão (amarelo de tão podre). Mandava tudo para o alto e voltava a agarrar sem distinção.

Creio que nenhuma das pessoas, que me rodeavam com seus carros-tanques, notou a magnitude da ação. Já ouvi, diversas vezes, aquele ditado que tenta alertar-nos quanto aos possíveis limões que a vida pode mandar. A solução, nunca concordei, é preparar uma limonada. O menino provou que existe uma atitude possível além de fazer cara de azedo. Não é necessário providenciar um suco tão podre quanto a fruta, o açúcar não conseguirá enganar o paladar aguçado. Se a vida lhe mandar algum limão, trate de começar os malabares. O circo manterá os objetos em constante movimento e a platéia aplaudirá em êxtase.

post3.jpg



Ricardo Berezin é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às sextas-feiras.

Vivo por trás de dois olhos azuis. Vasto oceano anil. Semelhantes aos castanhos, suculentas jaboticabas, e aos negros, brilhantes turmalinas, misturam-se, hibridando emoção e clemência.

Todos iguais. Na espera pela adoção, os olhos são todos iguais.

Quando esses se fecham, em meu leito, sonho. Sonho com meu nome. Marcos. Vogais sempre me agradaram. Talvez por viver apenas com duas. Marcos. Olhos. Ambos, duas vogais. Duas formas fonéticas de esperança. Dois olhos azuis.

Lágrimas surgem na iminência do movimento de pernas da governanta trazendo novas notícias: “Duas pessoas. Um homem e uma mulher. Há um casal interessado em adotar um bebê.”

A curiosidade em saber quem são vocês. Dois olhos negros? Ana e Luís? Pais? Meus pais! Duas vogais e dois olhos a me ninar. Duas vogais me ensinando a escrever. Duas soluções. Duas.

O casal não me escolhe. Luísa e João preferiram Felipe, de olhos verdes. Ervilhas. Três vogais. A vida praticamente acaba em três.

Na fila de adoção, os olhos nem sempre são todos iguais.



Francisco Spagnolo é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quintas-feiras.

Depois de nem tão merecidas férias, aqui estou novamente.

Observando, nas últimas semanas, a tentativa do Romário de marcar seu milésimo gol (calma, não vou falar sobre futebol), pus-me a pensar que o baixinho já não é mais persistente, por tentar provar que, com 41 anos, ainda não está morto para o futebol. Ele ultrapassou esse nível. Não só esse, mas o nível em que a persistência se mistura com a teimosia. Hoje ele é teimoso e nada mais.

A persistência é, sem dúvida nenhuma, uma qualidade admirável. Mas, como nosso amigo Romário anda provando, é preciso tomar cuidado para não extrapolar e assim virar apenas mais um teimoso. Se é uma linha fina que distingue a genialidade da loucura, o mesmo pode ser dito sobre teimosia e persistência. Uma pessoa persistente sabe o que quer e corre atrás de seus objetivos, luta até o último momento para ter suas metas atingidas. Já o teimoso, não sabe o que quer, embora ache que saiba e mesmo assim se esforça – não até o último instante, mas depois dele ainda – apenas para provar que estava certo.

O persistente pode até ser chato em algumas circunstâncias. Com o teimoso, não há nem risco de isso acontecer: ele é chato sempre. Atire a primeira pedra aquele que nunca se irritou profundamente com um amigo, parente ou conhecido que não parou de insistir que era ele quem estava certo. E o pior de tudo é quando se faz a vontade do teimoso apenas para ele parar de reclamar um pouco. Ele fica tão feliz, mas tão feliz que acataram sua sugestão, que não para de falar dela.

Não sei mais se aqui estou sendo persistente ou teimoso em provar que a teimosia é uma praga. Mas, convenhamos que, se for teimosia é por uma boa causa, não agüento mais teimosos por aí e fiz este texto pra ver se eles se tocam e deixam de estorvar as pessoas, que de problemas já estão cheias. E se tem uma coisa que não tá, é fácil.



André Sender é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quintas-feiras.

Anos de estudo. Pressão. Vestibular. São fases e sentimentos por que qualquer aluno do ensino médio passa. São fatos que acontecem na vida da maioria dos adolescentes que enfrentam provas com finalidade de ingressar em uma universidade.

Junto com tudo isso, aparece um dos sentimentos mais importantes dessa fase: a dúvida. Saber a escolha que vale para toda a vida. Uma profissão. Uma carreira a seguir. A dúvida é muito presente na mente dos vestibulandos.

Depois de escolhida a carreira, devemos, então, fazer as provas. Escolher as instituições de ensino, as cidades. Pensar em uma nova realidade. Um período que todos consideram como um dos melhores de nossa vida: a faculdade.

Porém, depois de entrar em novas escolas, todos consideram que a dúvida acabou. Todos analisam o período como um mar de tranqüilidade. Afinal, escolhemos o nosso futuro. Esta aí, então, o engano.

Depois de escolhido o curso é que o problema aparece com maior evidência. Saber se nos encaixaremos na nova vida, descobrir se apreciaremos as aulas. Esses são os maiores incômodos. A saudade e a saída de casa são situações com que nos acostumamos.

É complicado ter a certeza do que fazemos. Desistir ou continuar? Questão presente a muitos universitários. Medo de se arrepender, de envergonhar a família, de ser mal interpretado. Todos esses sentimentos são fatores extremamente importantes na hora de tomar uma decisão final.

Entretanto, creio que devemos fazer as escolhas pelo que queremos. Se não estamos adaptados, não devemos brigar com as circunstâncias. Sair da faculdade sem concluir o curso não significa uma desistência. É apenas um recomeço!

Assim, se for necessário um recomeço, faça-o. Mudanças ocorrem em nossa vida. Mudar não é o triste. Triste é não ter idéias para realizar uma mudança. Assim, caso não nos acostumemos com algumas situações, devemos tomar essa decisão.



Pedro Siqueira Ribeiro Lima é estudante
de Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Em época de troca de pilotos ministeriais, mudanças nas equipes partidárias e futura substituição de combustível, falta um bom estrategista pra melhorar o rendimento.



Tossiro Yamamoto é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às quartas-feiras.

Como apreciador de filmes de horror – sejam eles bons ou ruins – e, devido ao sucesso de público da mensagem anterior, vamos nos alongar um pouquinho mais em nossas imagens:

Nesta semana, temos indivíduos com Habitus gastronômicos, digamos peculiares e semelhantes.

Agora, vamos a nossa perguntinha: Qual lhe espanta ou assombra mais? O digníssimo senhor de blazer e moto-serra ou o gentil loiro de camisa listrada?

Na próxima semana, revelaremos o mistério que existe por trás das máscaras no horror ficcional e de gentis indivíduos na vida real. Ou não…



Luiz Giaconi é estudante de
Jornalismo e escreve nesta
coluna às terças-feiras.

- Mamãe! Estou com fome!
- A geladeira está cheia, amorzinho! Faz um sanduíche!
- Não! Eu quero o sanduíche da TV!
- Qual sanduíche da TV?
- Aquele da propaganda do palhaço feliz!
- Não estou me lembrando!?!?
- Aquele dos sanduíches ricos em gordura, açúcar, sal e pobres em fibras e vitaminas! Que tem vários aditivos químicos que podem causar câncer!
- Tem certeza de que não quer um macarrãozinho? Se a fome é tanta, eu faço!
- Não mãããe! Quero ir à lanchonete que explora os empregados, que não paga hora extra, aquela onde os atendentes estão sempre queimados com gordura quente por causa da velocidade que lhes é imposta!
- Onde você aprendeu isso, menino?
- Não vem ao caso, mãe! Me leva lá?
- Ma…
- Vaaaaai, mãe! Sabia que eles compram grandes áreas de terras loteadas ilegalmente em países subdesenvolvidos para poder devastar a vegetação natural e plantar soja transgênica, cheia de hormônios, com a qual alimentam seus frangos e põem as vaquinhas pra pastar? E que os tais nugets são feitos com os restos do frango – miúdos, pele, bico, pé, penas – triturados e compactos?
- Menino!!!
- Eles também usam um número absurdo de embalagens desnecessariamente, que acaba sendo jogado nas ruas e indo parar em bueiros, causando enchentes e poluição nos rios!
- E é em um lugar desses que você quer que eu te leve? E o palhaço feliz, come o lanche?
- Na verdade, nunca o vi comendo… Mas mãããe! O palhaço é tão feliz e tem tantos amigos! Eles fazem várias promoções, os preços são sempre atrativos! As propagandas mostram gente bonita, rica, alegre, comendo o lanche com tanta vontade! E o melhor: o lanche especial para as crianças vem com um brinquedinho superlegal! Olha! O comercial tá na TV!
Um minuto depois…
- Tá! Pega a minha bolsa e põe um casaquinho!

donald.jpg

*Mas não se preocupem! A propaganda diz: faça exercícios físicos regularmente!



Marcelo Cabrera é estudante de Jornalismo. Colaborador
da Radio Gazeta e fotógrafo e colunista de A Imprensa,
escreve nesta coluna as tercas-feiras.

Blog do curso de Filosofia
Prof. Dimas Künsch

Grupo "Discurso do Método"
Alunos do primeiro ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

a